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Pelo dr. Erig Berg
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A queda de cabelo afeta milhões de pessoas no mundo — homens e mulheres — e muitas vezes é vista como um problema inevitável, ligado apenas à idade ou à genética. No entanto, pesquisas recentes mostram que é possível não apenas desacelerar, mas reverter o processo em muitos casos, especialmente quando se ataca as causas subjacentes de forma integrada.
Neste artigo, vamos explicar:
- O que é a alopecia androgenética e por que ela atinge áreas específicas do couro cabeludo
- O papel do hormônio DHT e como ele é influenciado pela resistência à insulina
- As 6 estratégias comprovadas para restaurar o ambiente folicular e estimular o crescimento capilar
- O alimento mais poderoso para saúde capilar (e como combiná-lo para potencializar seus efeitos)
- Suplementos e fitoterápicos com evidência científica para reduzir a queda de cabelo
A causa mais comum da queda de cabelo: alopecia androgenética
A forma mais frequente de perda capilar é a alopecia androgenética, também conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino.
- Em homens, ela se manifesta como retração da linha frontal e afinamento no topo do couro cabeludo (coroa).
- Em mulheres, geralmente ocorre um afinamento difuso no centro da cabeça, sem exposição completa do couro cabeludo.
Curiosamente, muitos pacientes que perdem cabelo no topo mantêm crescimento capilar em outras regiões — como a barba, laterais da cabeça ou até mesmo no peito. Isso acontece porque os folículos capilares em diferentes áreas do corpo respondem de forma distinta ao mesmo hormônio.
O que é um folículo capilar — e por que ele importa
O cabelo visível é apenas a parte externa. O verdadeiro “motor” do crescimento está no folículo piloso: uma estrutura complexa localizada sob a pele, que funciona como uma pequena fábrica biológica.
Esse folículo exige:
- Alta oxigenação
- Função mitocondrial eficiente (as “usinas de energia” das células)
- Baixo grau de inflamação local
Quando esse ambiente se deteriora — por inflamação, hipóxia (falta de oxigênio) ou fibrose — o folículo entra em fase de repouso prolongado, o cabelo cai e, com o tempo, o folículo pode atrofiar completamente, deixando a pele brilhante e lisa.
DHT: o hormônio que acelera a calvície — mas não é o vilão absoluto
O DHT (dihidrotestosterona) é uma forma mais potente de testosterona, produzida pela ação da enzima 5-alfa-redutase. Embora essencial para o desenvolvimento sexual e manutenção da libido, níveis elevados de DHT no couro cabeludo desencadeiam uma cascata de danos:
- Redução da irrigação sanguínea local
- Aumento da inflamação folicular
- Acúmulo de tecido fibroso (cicatricial) ao redor do folículo
- Supressão da atividade mitocondrial nas células-tronco capilares
Importante: ter DHT elevado não depende apenas da idade ou da genética. Mesmo pessoas jovens podem apresentar níveis altos se expostas a fatores desencadeantes.
A verdadeira causa-raiz: resistência à insulina
Um dos pontos mais subestimados na literatura popular sobre queda de cabelo é o papel da resistência à insulina.
Estudos demonstram que a resistência à insulina:
- Aumenta a atividade da enzima 5-alfa-redutase, convertendo mais testosterona em DHT
- Reduz a capacidade do fígado de inativar hormônios androgênicos
- Eleva os níveis de testosterona livre circulante, substrato para produção de DHT
- Promove inflamação sistêmica e estresse oxidativo, que afetam diretamente o couro cabeludo
Isso explica por que pessoas com síndrome metabólica, diabetes tipo 2 ou sobrepeso têm maior risco de alopecia androgenética — mesmo na faixa dos 20 e 30 anos.
Portanto, qualquer estratégia eficaz para reverter a queda de cabelo deve, em primeiro lugar, corrigir a resistência à insulina.
6 estratégias comprovadas para estimular o crescimento capilar
Combinar abordagens é essencial. Nenhuma delas isoladamente é suficiente — mas juntas, formam um protocolo sinérgico.
1. Correção da resistência à insulina
- Redução de carboidratos refinados e açúcares
- Jejum intermitente (14–16 horas)
- Atividade física regular (especialmente treino de força)
- Suplementação com magnésio, cromo e berberina (quando indicado)
2. Estímulo mecânico do couro cabeludo: microneedling
O microneedling com agulhas de 1,5 mm (aplicado a cada 7–10 dias) promove:
- Liberação de fatores de crescimento (VEGF, FGF, PDGF)
- Quebra de tecido fibroso ao redor dos folículos
- Melhora da perfusão sanguínea local
- Ativação de células-tronco foliculares
Estudos clínicos mostram que o microneedling duplica a eficácia do minoxidil e pode até superá-lo em alguns casos.
3. Terapia com luz vermelha e infravermelha próxima (630–850 nm)
A fotobiomodulação atua diretamente nas mitocôndrias:
- Aumenta a produção de ATP (energia celular)
- Reduz o estresse oxidativo
- Estimula a proliferação de queratinócitos
- Melhora a microcirculação
Dispositivos portáteis com LED (2–3 sessões semanais de 10–20 minutos) mostram resultados visíveis em 3–6 meses.
4. Melhora da circulação local: óleo de alecrim
O óleo essencial de alecrim (Rosmarinus officinalis) tem três ações-chave:
- Vasodilatação (semelhante ao minoxidil, mas sem efeitos colaterais sistêmicos)
- Inibição da 5-alfa-redutase (reduz DHT localmente)
- Efeito anti-inflamatório e antioxidante
Num estudo randomizado, o óleo de alecrim foi tão eficaz quanto o minoxidil 2% após 6 meses, com menor incidência de coceira e descamação.
5. Nutrientes essenciais: zinco e vitamina D
Deficiências desses micronutrientes estão fortemente associadas à queda capilar.
- Zinco (30–40 mg/dia): cofator para síntese de queratina, regula a atividade da 5-alfa-redutase e suporta a função imune local.
- Vitamina D (5.000–10.000 UI/dia): ativa genes responsáveis pelo ciclo capilar; níveis séricos acima de 50 ng/mL estão associados a maior densidade capilar.
6. Inibidores naturais da 5-alfa-redutase
Além do alecrim, outras opções com evidência:
- Saw palmetto (Serenoa repens): reduz DHT sérico em até 32% em estudos
- Óleo de semente de abóbora: rico em fitoesteróis que inibem a enzima
- EGCG (do chá-verde): potente antioxidante e modulador hormonal
- Óleo de hortelã-pimenta: estimula crescimento capilar em modelos experimentais
A refeição mais poderosa para a saúde capilar
Segundo especialistas em nutrição funcional, fígado bovino com cebola, chucrute e sementes de abóbora é a combinação mais completa para apoiar o crescimento capilar — e não é por acaso.
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Alimento
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Benefícios para o cabelo
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Fígado bovino
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Fonte de ferro heme (altamente biodisponível), vitamina A (regula ciclo capilar), zinco, cobre e selênio — todos essenciais para a síntese de queratina e função folicular.
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Cebola
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Rico em quercetina, um flavonoide com ação anti-inflamatória, antioxidante e inibidora da 5-alfa-redutase. Estudos mostram que o suco de cebola aplicado topicamente aumenta a contagem de folículos em até 74% após 6 semanas.
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Chucrute (fermentado)
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Fornece vitamina C (mais de 600 mg por ½ xícara), essencial para síntese de colágeno e absorção de ferro. Também contém centenas de fitonutrientes que modulam a inflamação e reduzem DHT.
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Sementes de abóbora
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Fornecem zinco, magnésio, ômega-3 e compostos que inibem naturalmente a 5-alfa-redutase — com eficácia comprovada em homens com alopecia androgenética.
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Dica prática: consuma essa refeição 2–3 vezes por semana. Se o gosto do fígado for desafiador, comece com pequenas porções (30–50g) ou opte por cápsulas de desidratado (verifique pureza e origem).
Conclusão: cabelo saudável começa com metabolismo saudável
A calvície não é um destino inevitável. Ela é, na maioria dos casos, um sinal precoce de disfunção metabólica — especialmente resistência à insulina.
Tratar apenas os sintomas (com medicamentos isolados) pode trazer ganhos temporários, mas ignorar as causas subjacentes leva à progressão da perda capilar no médio prazo.
Uma abordagem integrada — que combine:
- Correção metabólica (dieta, estilo de vida)
- Estímulo folicular (microneedling + luz vermelha)
- Suporte nutricional (zinco, vitamina D, fitoterápicos)
- Alimentação direcionada (fígado, vegetais fermentados, sementes)
— oferece a melhor chance de reverter a queda e restaurar a densidade capilar de forma sustentável.
Se você está enfrentando perda de cabelo, comece avaliando sua sensibilidade à insulina (jejum > 100 mg/dL, triglicerídeos > 150 mg/dL, relação TG/HDL > 3 são sinais de alerta). A partir daí, cada passo conta.
Poderá ver o vídeo no youtube Aqui
